''Me exponho para que nada se imponha dentro de mim''


25 de janeiro de 2010

Quero um sonho...


A torto e a direito venho numa nebulosa fase de falta de inspiração para dedilhar letrinhas avulsas neste espaço glamoroso que me orgulha em chamá-lo de meu. Mas quando me referi a uma fase - espero - momentânea me pus a pensar sobre o que escrever...o que essa cabecinha pensante se propõe a apresentar?Numa falsa súbita vontade de colar um textinho sorridente de um bom post açucarado me peguei atentando ao fato de que não seria eu se fizesse isso sem nenhuma explicação... então me dei conta que sou das que preferem qualidade a ter quantidade...mas do que é mesmo que eu falava?Voltando com os olhos as linhas acima me peguei pensando que poderia...não...eu não poderia...Carla Bruni toca ao fundo uma baladinha de excesso..que pergunta...mas do que reclama por que não surtar de vez em quando? preciso ser mesmo como todo mundo espera que eu seja?"Je suis excessive, J'aime quand ça désaxe,
Quand tout accélère,Quand tout explose, Quand la vie s'exhibe, C'est une transe exquise..."

Lembrar que coragem é o que não falta... mas o tempo não mede e nem da medidas e pouco a pouco os sonhos e os desejos se extraviam e para onde eles vão quando isso acontece?Não sei...e prefiro não saber..sonhos velhos não tem novidades e nem aventuras...sonhos antigos murcham logo e se enchem de mofo..e se não fosse a alergia de um deficiente sistema imunológico eu mexeria na caixinha de sonhos antigos..mas quem mesmo precisa deles?Afinal se você sonha muito você esquece de viver e ainda grita uma avassaladora vontade de que tudo por favor, seja real.
Mas, pensando por outro lado a vida real seria muito mais interessante se nos propuséssemos a enfeitar os dias pra que eles não ficassem tão cinza-cinza-desbotado-cinza!Colorir com detalhes que nos coloquem pra cima que seja animado... faz de conta as vezes é interessante...eu sei que isso vai contra toda uma meticulosa e já postada forma de não inventar ilusões para corações de pedra...mas e dai?eu não seria uma metamorfose ambulante se não entrasse em fotossíntese..alguém entendeu?não?nem eu!!!Mas é disso que eu gosto!!! Não há quem seja mestre em entender tudo e saber de tudo...a pouco me peguei concluindo que nada sei...e vou continuar não sabendo..principalmente quando se fala de coração..as histórias escritas não são tão bem enfeitadas quando você tem nas mãos o poder de fazer o seu faz de conta virar realidade e de poder decidir que rumo tomar..por que é sua história..é o seu amor...e com excesso ou sem excesso, com coragem ou sem coragem,com rosa ou cinza,com inspiração ou não qualquer coisa que você se propõe a fazer pra mudar o rumo das coisas é bem vindo...mas se não quiser mudar também não importa..só não vale uma vida pela metade,só não vale ser de alguém pela metade,viver metade do amor,o amor é inteiro,é eterno ou passageiro...você que faz...por que o que a gente quer é fazer o nosso final feliz .

(Delírios na chuva de uma blogueira que ainda não virou seriado, mas espera sem muitas esperanças os beijos de um cinema americano...)

15 de janeiro de 2010

Open bar


"Abri a bolsa e lhe dei dez dólares e ele desceu a Effie Street em direção à morte certa e eu andei para casa.

No sonho recorrente, tudo já desabou e eu estou lá embaixo.

Estou rastejando, às vezes por dias, debaixo do entulho. E, enquanto rastejo, percebo que aquele tinha sido o Grandão.

Tinha sido o terremoto que abalara o mundo inteiro e todas as coisas tinham sido destruídas. Mas essa não é a parte apavorante.

Essa parte sempre chega um pouco antes de eu acordar.

Estou rastejando e então de repente me lembro: o terremoto aconteceu há anos.

Essa dor, essa morte, é apenas normal.

É assim que é a vida.

Na verdade, percebo, nunca houve um terremoto.

A vida é simplesmente desse jeito, aos cacos, e eu sou louca de esperar por outra coisa."

(Miranda July)


(Fragmentos de tempos passados desta escritora um tanto caricata que só deseja gozar a liberdade de uma vida sem frescuras...)

12 de janeiro de 2010

Seja tijolo...se reconstrua...

She lives in a fairy tale
Somewhere too far for us to find
Forgotten the taste and smell
Of a world that she's left behind

It's all about the exposure
The lens
I told her the angles were all wrong
Now She's ripping wings off of butterflies

Keep your feet on the ground
When your head's in the clouds

Go get your shovel
And we'll dig a deep hole
To bury the castle

So one day he found her crying
Coiled up on the dirty ground
Her prince finally came to save her
And the rest you can figure out

But it was a trick and the clock struck 12
Well make sure to build your home
Brick by boring brick
Or the wolf's gonna blow it down

Keep your feet on the ground
When your head's in the clouds

Go get your shovel
And we'll dig a deep hole
To bury the castle

You built up a world of magic
Because your real life is tragic

If it's not real you can't hold it in your hands
You can't feel it with your heart
And I won't believe it
But if it's true you can see it with your eyes
Even in the dark
And that's where I want to be

Go get your shovel
And we'll dig a deep hole
To bury the castle
(Brick By Boring Brick )
Paramore
(Eu nunca quis me gabar...mas começo a crer que o bixo papão existe e por ironia seja lá do que for...atende pelo meu nome.)

24 de dezembro de 2009

eterno brilho de uma mente cheia de lembranças...

Contando os dias para o fim do ano...lembrando de tantos dias tristes e dias felizes que fizeram desse ano, um ano verdadeiramente especial...por que será que quando a gente chega no final a gente lembra do começo?...parece que funciona assim...me permiti uma breve retrospectiva..bem merecida já que a Sofia de hoje não é mais a Sofia de antes...alías..ela nunca foi Sofia.
Lembrei de tudo, e foi como se acordasse de uma amnésia...lembrei daqueles que já amei...de todos que odiei. Tudo que proclamei, e até do que difamei...lembrei cada sorriso dado, cada lágrima, cada timidez, cada briga, cada abraço. Lembrei de todos que um dia passaram por aqui... Bons, maus, bonitos, feios, carinhosos, estúpidos. Lembrei cada personalidade que vi...lembrei das duplas, trios, quartetos, quintetos e sextetos...lembrei da escola, da escada, dos bancos, do céu, da universidade, da biblioteca, dos professores, dos surtos, das fugas e dos risos.
Lembrei de construir..foi um ano pra construir...construí amores..amizades..aventuras...alicerces...novos medos...novos apegos...sentimentos antes nunca experimentados...construí sonhos...vividos juntos e separadamente..construí saudades de alguém que hoje não é ninguém...construí ao lado de pessoas que nunca mais vi..mas que ainda lembro..construí prédios de concreto..de tijolos.. que jamais serão destruídos...construí arranha-céus de loucuras e me joguei deles..construí personagens..construí mentiras que com tempo eu mesma acreditei...construí verdades que abriram meus olhos..construí vidas..inclusive a minha...Mas também houve destruição..por que nem tudo são flores...foram destruídos medos..amores...amizades que nunca souberam o significado de "amigo"...até laços de sangue foram desfeitos...por algo tão pequeno como o que agora se tornou..destruídos por nada e por tudo ao mesmo tempo...aprendi a decepção...a ilusão...a enxergar o que antes era brilho e de uma hora pra outra apodreceu...perdi a famosa mania de viver no país das maravilhas e pousei sobre uma realidade claustrofóbica e sufocante que congelou o que antes pulsava dentro do peito.. não senti mais o que é desmanchar de amor e nem sofrer ‘ao ver o rosto..ao tocar-lhe a mão’...os dias foram escuros e nublados...mas aprendi a fazer um sol pra esquentar aqui dentro...aprendi a sorrir sobre lágrimas e dar tempo aos sentimentos...não atropelar os novos que se aproximavam e fechar os olhos pra um novo sabor...
Viajei pelo mundo...descobri vida lá fora...descobri climas e climas...dos mais quentes aos mais frios...descobri amores de inverno..de verão..e que não há distância quando se quer...quando se ama...descobri que universo paralelo não existe e ponto final...esse é seu mundo..sua vida e ela está passando enquanto você decide se chove, se ama, se chora, se quebra uma onda em outra dimensão...que loucura é bom...mas não vai ser tão bom assim quando alguém tiver medo de ficar perto de você..de se aproximar..por não saber o que esperar de você...que amar não é pecado..contanto que você ame alguém de cada vez...que palavras ferem..e eu sei fingir que não doeu muito bem...aprendi com antigos amores que não os quero nunca mais..não ser o que eu já fui um dia...que não trocaria essa vida por nada...que tudo que o vento deixou me faz tão bem que mal cabe dentro de mim...e não quero mexer...que a leveza que paira aqui dentro é resultado de um esforço muito grande de tentar ser feliz com pouco...de ver beleza e paz através das lentes da minha máquina fotográfica...de ver a felicidade através de abraços e beijos...de sentir o verdadeiro amor ao decorar uma casa..cada móvel..cada prato...cada um...cada dois...de soltar as mãos...pra andar sozinho...rumo ao futuro..sem medo do que ele guarda...que esse tempo que passou vai ficar guardado na memória...tatuado na pele... que ser saudosista tem suas desvantagens...que eu aprendi a não ter medo de mudar..de inventar...que ainda falta muito...mas o ano ta só começando...de cara nova...tudo novo....ou não...muito ainda é antigo...muito ainda existe...e é lembrado pra eternizar e virar história..pra contar...pra aprender...pra construir...pra não repetir os erros..pra dar vida a vida.

(Lembranças desta escritora que ainda atende por monstrinho adorável..ainda não se livrou..mas ela já acredita que a morte só vale a pena se for de amor....)

14 de dezembro de 2009

e o vento levou...

'O que diz este vento, que de leve brisa ondulante e indecisa, tem a repentina capacidade de se transformar em sorvedouro furacão e de espargir mágoas e recriminações?' Como um sopro silencioso este companheiro e contrario a si mesmo, tempo, que impera e da vida a própria vida, interfere e age de forma pouco convencional... que não deixa por vezes de ser bastante repetitivo...mas sempre clareia o que antes era tão escuro...coisas as vezes acontecem e nós tolos e 'donos' da verdade nos colocamos contra e lançamos ao chão a esperança de entender..cegos e vendados para entender qualquer coisa..que se o tempo foi tão cruel e injusto...não vale a pena lutar...contra quem?..Tamanha ignorância... só resta lançar nas profundezas do oceano o que antes era vida e de uma hora pra outra tornou-se pó...pra que fiquem ali nossos melhores dias...que se afoguem junto com o que tiver que ser e a esperança de um dia rever esses tempos em que tudo era nada...e depois nada, era nada mesmo.Por que uma estória pode se repetir em outro lugar...e ter um final feliz...mas em que plano mesmo você vive?...'O que valerão esses sussurros e essa rosa-dos-ventos à nossa forma surrealistamente reinventada que procura protagonismo?’... no que tudo é felicidade e se for que graça tem?...sofrer faz parte de viver..a gente aprende mais no sofrimento do que na alegria..e essa é minha filosofia,não contestável...e se existem certas coisas que o tempo leva...ficaram ali soltas pra que ele levasse mesmo...em uma tempestade só sobrevive quem está seguro e quem se agarra forte pra não se perder...talvez esses que ficaram estejam ali por merecimento...por que se fizeram presentes e sobreviveram a tempestade...por isso o valor...o enorme valor...Stephen King escreveu: ‘O tempo leva tudo. O que você quer e o que não. O tempo leva tudo. O tempo arrasa tudo. E, no final, só resta a escuridão. Às vezes, encontramos outros nessa escuridão. E outras vezes, perdemos eles de novo’..talvez ele não seja tão radical e leve tudo...mas que leve o que simplesmente precise ser levado...o vento traz...o vento leva...e ás vezes num curto espaço de tempo!
Tal como a vida...tal como tempo...


(nos meus poucos minutos de razão...escrevi pra ser escrito e não ser entendido...)

10 de dezembro de 2009

minutos de razão..eternidades de loucuras (parte 2)


(um monólogo de quem já foi par)
Ainda falando do que nem se conhece... continuo perpetuando a idéia de um universo paralelo e que se fala pouco do que se sente ou até mesmo nem se fala...acreditando que a maioria das idéias abandonadas se enchem de covardia e se dissolvem por falta de vontade de transformá-las em realidade...e assim entrega-se a fatídica vidinha de eterna espera que aconteçam coisas novas e no fim e por fim...nada...nem nada." fiquei ali parada vendo a vida virando do avesso e mal pude olhar para o chão e juntar os caquinhos...um desespero avassalador se proliferou no peito rasgado e ainda dói um pouco ao lembrar..parece até que as lembranças ficam no tempo carregadas de uma dor incontrolável como um alerta para: ‘deixe de pensar e vá fazer alguma coisa’...deitar a cabeça no travesseiro parece até uma tortura toda noite...desejo absurdamente um lugar pra fugir de tudo o que tanto atormenta...mas sou forte..ou me faço..o que é mais fácil de fingir?o interesse?a satisfação ou a indiferença?...volta toda a idéia de que na verdade o seu melhor chega a ser o seu pior...uma facilidade enorme de disfarçar tamanho buraco no peito...e a vida segue seu rumo com os mesmos planos as mesmas idéias e a incrível fortaleza que se fez ao redor do recém-colado coração partido...ao som de fundo uma baladinha que entorpece e afoga tudo em uma simples frase..."tudo que vai deixa o gosto..as fotos...fica a memória..."como que tomada por uma invasão absoluta de inferno e céu...uma falta de ar...um sopro ao pé do ouvido...um minuto de razão volta a trás e em frente a mesa cheia de papéis e fotos que ainda precisam ser reveladas e revisadas...levantei..lavei o rosto..me olhei no espelho...maldito espelho...nem um perfume...sequer um batom passa pela cabeça...as fotos, a bolsa e...e estática olhando para o chão...vi ele...senti seu cheiro...ouvi seu barulho....as suas risadas tão fáceis...sua forma única de entrar pela sala e me abraçar pelas costas...lembrei do quão difícil era ficar longe...levava sempre uma camisa impregnada com o cheiro dele para dormir a noite e hoje nem vejo mais a escova de dentes ao lado da minha...lembrei e perdi ali ...diante daquela mancha no tapete abóbora.Como num truque de mágica ouvi um ruído...chaves balançando e abrindo a porta...
-Oi... que susto...
Sem acreditar no que meus olhos viam... era ele..ali parado na porta olhando pra mim...responde!
-O que você faz aqui?
-A pasta com os contratos...
Meu Deus.. que pasta?que contratos?..ele ali de novo na minha frente..senti uma súbita vontade de correr e pular em seu pescoço...de beijá-lo e abraçá-lo como antes...semanas atrás...mas pensei..e se ele já tiver alguém?..Senti nojo...nojo de saber que aqueles braços que tanto me abraçaram, que aquela boca que tanto me beijou...que os mesmos carinhos que eram só meus podiam agora ser de outro alguém...morri de inveja desse alguém...morri de ciúme dele...quis matá-lo...quis odiá-lo e o máximo que fiz foi...
-Coloquei suas coisas em uma mala no armário...(prendi você lá pra que não fugisse..)
-Obrigada..vou buscar.
-Não!eu pego...(pra que ele soubesse que não era mais bem vindo ao 'nosso quarto'...)
Trouxe a mala carregada de lembranças dele e a joguei em cima do tapete abóbora... como um saco de lixo,virei as costas e peguei na mesa as fotos, com ar de indiferença...(vá embora)pensei...(não volte pelo amor de Deus).. ele olhou pra ela de cima a baixo passeou pelas pernas... bunda..costa...pescoço.. ainda usava a corrente que ele havia lhe dado e parou no cabelo preso com um elástico amarelo...sentiu saudade do cheiro do cabelo..virou-se e..
-Ei...
-Sim?
-Devolva as chaves por favor!..Tentei impedir uma lágrima e tive sucesso...vi ele tirar as chaves do bolso e jogar no sofá...bater a porta não foi o pior...o pior foi sentir mais do que nunca a presença dele aqui..em mim..seu cheiro..seu gosto...seu calor...sua música...seu amor.

(delírios de uma escritora monstrinha..que acredita que diferente ou não..tudo é vida..)