
(um monólogo de quem já foi par)
Ainda falando do que nem se conhece... continuo perpetuando a idéia de um universo paralelo e que se fala pouco do que se sente ou até mesmo nem se fala...acreditando que a maioria das idéias abandonadas se enchem de covardia e se dissolvem por falta de vontade de transformá-las em realidade...e assim entrega-se a fatídica vidinha de eterna espera que aconteçam coisas novas e no fim e por fim...nada...nem nada." fiquei ali parada vendo a vida virando do avesso e mal pude olhar para o chão e juntar os caquinhos...um desespero avassalador se proliferou no peito rasgado e ainda dói um pouco ao lembrar..parece até que as lembranças ficam no tempo carregadas de uma dor incontrolável como um alerta para: ‘deixe de pensar e vá fazer alguma coisa’...deitar a cabeça no travesseiro parece até uma tortura toda noite...desejo absurdamente um lugar pra fugir de tudo o que tanto atormenta...mas sou forte..ou me faço..o que é mais fácil de fingir?o interesse?a satisfação ou a indiferença?...volta toda a idéia de que na verdade o seu melhor chega a ser o seu pior...uma facilidade enorme de disfarçar tamanho buraco no peito...e a vida segue seu rumo com os mesmos planos as mesmas idéias e a incrível fortaleza que se fez ao redor do recém-colado coração partido...ao som de fundo uma baladinha que entorpece e afoga tudo em uma simples frase..."tudo que vai deixa o gosto..as fotos...fica a memória..."como que tomada por uma invasão absoluta de inferno e céu...uma falta de ar...um sopro ao pé do ouvido...um minuto de razão volta a trás e em frente a mesa cheia de papéis e fotos que ainda precisam ser reveladas e revisadas...levantei..lavei o rosto..me olhei no espelho...maldito espelho...nem um perfume...sequer um batom passa pela cabeça...as fotos, a bolsa e...e estática olhando para o chão...vi ele...senti seu cheiro...ouvi seu barulho....as suas risadas tão fáceis...sua forma única de entrar pela sala e me abraçar pelas costas...lembrei do quão difícil era ficar longe...levava sempre uma camisa impregnada com o cheiro dele para dormir a noite e hoje nem vejo mais a escova de dentes ao lado da minha...lembrei e perdi ali ...diante daquela mancha no tapete abóbora.Como num truque de mágica ouvi um ruído...chaves balançando e abrindo a porta...-Oi... que susto...
Sem acreditar no que meus olhos viam... era ele..ali parado na porta olhando pra mim...responde!
-O que você faz aqui?
-A pasta com os contratos...
Meu Deus.. que pasta?que contratos?..ele ali de novo na minha frente..senti uma súbita vontade de correr e pular em seu pescoço...de beijá-lo e abraçá-lo como antes...semanas atrás...mas pensei..e se ele já tiver alguém?..Senti nojo...nojo de saber que aqueles braços que tanto me abraçaram, que aquela boca que tanto me beijou...que os mesmos carinhos que eram só meus podiam agora ser de outro alguém...morri de inveja desse alguém...morri de ciúme dele...quis matá-lo...quis odiá-lo e o máximo que fiz foi...
-Coloquei suas coisas em uma mala no armário...(prendi você lá pra que não fugisse..)
-Obrigada..vou buscar.
-Não!eu pego...(pra que ele soubesse que não era mais bem vindo ao 'nosso quarto'...)
Trouxe a mala carregada de lembranças dele e a joguei em cima do tapete abóbora... como um saco de lixo,virei as costas e peguei na mesa as fotos, com ar de indiferença...(vá embora)pensei...(não volte pelo amor de Deus).. ele olhou pra ela de cima a baixo passeou pelas pernas... bunda..costa...pescoço.. ainda usava a corrente que ele havia lhe dado e parou no cabelo preso com um elástico amarelo...sentiu saudade do cheiro do cabelo..virou-se e..
-Ei...
-Sim?
-Devolva as chaves por favor!..Tentei impedir uma lágrima e tive sucesso...vi ele tirar as chaves do bolso e jogar no sofá...bater a porta não foi o pior...o pior foi sentir mais do que nunca a presença dele aqui..em mim..seu cheiro..seu gosto...seu calor...sua música...seu amor.
(delírios de uma escritora monstrinha..que acredita que diferente ou não..tudo é vida..)
Tá bom Sofia...escritora agora. Bem ao estilo American Novel, deixe-me ver...Henry James.
ResponderExcluirentre a descrição eos diálogos. Gostei!