''Me exponho para que nada se imponha dentro de mim''


2 de julho de 2009

ainda em busca do "enigma de Capitu..."


Entre pápeis velhos, vi rabiscos enfeitados e cheirando a mofo...espeirrei uma duas vezes e lembrei-me do antigo desejo por ler mais de capitu...na busca por seu enigma... ainda tenho esperança em encontra-lo...talvez me canse e eu mesma escreva um...por que não?meu olhar sobre os "olhos de ressaca"..fascinada pelo que me faz bem...fragmentos do que resta de romantismo...


"Entre a luz e o fusco tudo há de ser breve como esse instante."

"...Há coisas que não se ajustam nem combinam.
A simples notícia era já uma turvação grande. As minhas idéias de ouro perderam toda a cor e o metal para se trocarem em cinza escura e feia, e não distingüi mais nada. Penso que cheguei a dizer que tinha pressa, mas provavelmente não falei por palavras claras, nem sequer humanas, porque ele, encostado ao portal, abria-me espaço com o gesto, e eu, sem alma para entrar nem fugir, deixei ao corpo fazer o que pudesse e o corpo acabou entrando.Não culpo ao homem; para ele, a coisa mais importante do momento era o filho. Mas também não me culpem a mim; para mim, a coisa mais importante era Capitu.
O mal foi que os dois casos se conjugassem na mesma tarde, e que a morte de um viesse meter o nariz na vida do outro. Eis o mal todo. Se eu passasse antes ou depois, ou se o Manduca esperasse algumas horas para morrer, nenhuma nota aborrecida viria interromper as melodias de minha alma. Por que morrer exatamente há meia hora? Toda tarde é apropriada ao óbito; morre-se muito bem às seis ou sete horas da tarde."
"Pois sejamos felizes de uma vez, antes que o leitor pegue em si, morto de esperar, e vá espairecer em outra parte; casemo-nos. Foi em 1865, uma tarde de março, por sinal que chovia. Quando chegamos ao alto da Tijuca, onde era o nosso ninho de noivos, o céu recolheu a chuva e acendeu as estrelas, não só as já conhecidas, mas ainda as que só serão descobertas daqui a muitos séculos. Foi grande fineza e não foi a única. São Pedro, que tem as chaves do céu, abriu-nos as portas dele, fez-nos entrar, e depois de tocar-nos com o báculo, recitou alguns versículos da sua primeira epístola: 'As mulheres sejam sujeitas a seus maridos... Não seja o adorno delas o enfeite dos cabelos riçados ou as rendas de ouro, mas o homem que está escondido no coração... Do mesmo modo, vós, maridos, coabitai com elas, tratando-as com honra, como a vasos mais fracos, e herdeiras convosco da graça da vida...' Em seguida, fez sinal aos anjos e eles entoaram um trecho do Cântico, tão concertadamente, que desmentiriam a hipótese do tenor italiano, se a execução fosse na terra; mas era no céu. A música ia com o texto, como se houvessem nascido juntos, à maneira de uma ópera de Wagner. Depois, visitamos uma parte daquele lugar infinito.
Descansa que não farei descrição alguma, nam a língua humana possui formas idôneas para tanto."

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Brgadinha.Volta pra me ler.